Uma belíssima palestra – e um pouco de saudade.
A última vez em que eu tinha conversado diretamente com João Adolfo Hansen foi há 11 anos, durante a defesa de minha dissertação de mestrado. Ainda nos falamos por telefone até por volta de 2000. Depois, parei: nem tudo naquela época se passou como eu desejaria (e quando é que se passa…); parei os estudos durante um tempo, precisei cuidar da vida pessoal, da saúde.
Ontem, aqui em Belém, pude rever o João Adolfo Hansen durante um evento do ano Vieirino, realizado na Universidade da Amazônia. Lá estava ele com a mesma ironia finíssima, a mesma acuidade de leitura e uma erudição raríssima, muito acima da média da Universidade brasileira.
Mais do que matar um pouco de saudade em rever alguém que intelectualmente admiro demais, foi interessante o António Vieira que João Hansen apresentou ao público: uma refinadíssimo orador que veio a se cnstituir na mais magnífica máquina de guerra evangelizadora dos jesuítas portugueses. Em linhas gerais, na obra de Vieira se pode identificar o paradigma do que deve ser um prepagador perfeito da contra-reforma portuguesa. Um Vieira cuja obra do século XVII, não deve ser remetido propriamente à “literatura”, entendida como um “encaixe” de uma obra a um estilo de época bem determinado (como “barroco”, por exemplo), mas sim à sua prática efetiva: um uso da linguagem que nunca é informal, e que sempre pertence a um domínio retórico muito bem definido, posto em funcionamento por conta da conveniência política. Assim, não há sentido em se falar de uma “estética” do discurso de Vieira, não como algo separado, ou puro, mas sim como uma “performance” do discurso necessariamente ligado a um projeto teológico político.
O que mais me admira nessas discussões, e na obra de Hansen em particular, é a forma com que a História da Literatura é entendida. Essa forma de se pensar a literatura para Hansen, Pécora, Chartier, Iser, David Wellberry é que é me interessa e, mais do que isso, me fascina. Mas falar deles exige um prolongamento deste post, o que eu não posso fazer agora. Essa discussão fica para um pouco mais tarde, no outro blog, o Fim da História.
Abraços a todos.
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- Published:
- 11/Setembro/2008 / 11:21 am
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- Geral
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